segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Desafio de impulsionar o Mercado Interno.


No dia 17 de agosto, a revista Carta Capital, promoveu um encontro entre os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, que debateram sobre a crise mundial, a zona do Euro, o Cambio, e outros assuntos econômicos. Os textos estão disponíveis para leitura no site da revista.

Quando o assunto é a economia brasileira, muitos economistas concordam que é preciso reduzir a taxa de juros para impulsionar o crescimento do mercado interno. É possível notar no discurso dos economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, que há uma influencia negativa do mercado financeiro sobre a economia mundial, já que as decisões do Banco Central é influenciada pelo mercado financeiro. Para o Brasil se fortalecer ainda mais, a política monetária do governo deve beneficiar o setor produtivo, e não beneficiar apenas os especuladores do mercado financeiro.

A economia brasileira vai muito bem apesar das turbulências, o mundo todo percebe o amadurecimento de nossa política econômica, principalmente após a implantação do plano Real. O nosso sistema financeiro demonstra segurança, atraindo investidores de todas as partes do mundo. Mas já está na hora de deixarmos de lado a nossa dependência externa, temos potencial para cresceremos, reduzindo a dependência das exportações agrícolas.

 Através do crescimento do mercado interno, é possível reduzir a dependência externa. A indústria nacional precisa ser incentivada, e protegida pelo governo, o país precisa produzir mais, e não apenas exportar produtos agrários com pouco valor agregado. A indústria brasileira tem sofrido muito com a falta de investimento, e o cambio também é um grande problema enfrentado pela indústria nacional, uma vez que, com a valorização do Real frente ao Dólar, os produtos importados se tornam mais atrativos e competitivos em nosso mercado, desfavorecendo a nossa indústria. É bom lembrarmos que a indústria é uma importante geradora de empregos e conseqüentemente geradora de renda.

A economia mundial está à beira da estagnação, e até mesmo a china já dá sinais de um crescimento econômico mais moderado, se não investirmos no fortalecimento do mercado interno, teremos sérios problemas em nossa economia, uma vez que a demanda mundial tende a cair, ou se estagnar, impedindo que haja crescimento em nossas exportações.

Confira trechos do encontro realizado pela revista Carta Capital.

Carta Capital: E o Brasil no meio de tudo isso?


Delfim Netto: Temos uma política bastante razoável. Acho que o governo tem a clara noção de que estamos em um ambiente hostil e que precisamos providenciar um crescimento nosso. Existe recurso, tecnologia e imaginação. Parece existir a compreensão clara de que não podemos continuar com um modelo agro mineral exportador. Vamos continuar a aproveitar nossas vantagens, mas elas precisam ser revertidas para a construção de um desenvolvimento apoiado no mercado interno.


Luiz Gonzaga Belluzzo: Temos de seguir o exemplo dos Estados Unidos do fim do século XIX, início do XX, que era exportador de alimentos e matéria-prima e construiu sua industrialização.

DN: Aliás, o Brasil de hoje tem a população dos Estados Unidos dos anos 1970 e a renda dos anos 1930. Possui, portanto, um mercado interno com condições de se autoalimentar e continuar a funcionar, obviamente usando o setor externo como complemento.

DN: É que, antes de ser liberal, o Roberto Campos era inteligente (risos). É muito simples. Quando crescíamos a 7,5% durante 30 anos, a carga tributária estava em torno de 24% e o Estado investia 5% do PIB. Hoje temos uma carga tributária de 36% e a União investe 1,5%. O sistema está sendo reconstruído e muito mais eficiente, porque as privatizações trouxeram eficiência para várias empresas, que hoje são muito mais competitivas do que eram. O problema todo é que a coordenação do Estado é fundamental.

DN: Algumas empresas eram altamente eficientes, como a Telebrás, que ganhou vários prêmios internacionais, inclusive. A privatização do setor siderúrgico foi benéfica, porque havia muita interferência e um modelo como havia não poderia sobreviver em uma democracia. E hoje é um setor ágil, competitivo. Mas não adianta ter ilusão, o Estado tem um papel indutor. O mercado é um instrumento eficientíssimo para fazer o desenvolvimento, só que ele não pensa o desenvolvimento.

Leia na integra, acesse:




créditos

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Consumismo, um problema para economistas ou psicólogos?

É comum encontrar com pessoas que não conseguem ter uma vida financeira equilibrada. Ao  apresentar-se como economista (ou futuro economista), muitos pedem conselhos e dicas de como deixar de gastar tanto e começarem a poupar ou economizar. Para uma parcela da população, economista é aquele que consegue ficar rico mesmo ganhando pouco, e que consegue também ensinar as pessoas a ficarem ricas.

Nossa profissão não se resume a “ensinar” as pessoas a ficarem ricas, mas podemos dar algumas dicas de como viver melhor com o que ganhamos. O termo economia vem do grego oikos (casa) e nomos (costume ou lei) ou também gerir, administrar: daí "regras da casa" (lar) e "administração da casa”. O economista trabalha com o infinito desejo do homem diante da escassez de recursos. Não é possível satisfazer todas as necessidades/desejos dos homens com os recursos disponíveis, então temos que pensar em como satisfazer o máximo de pessoas, utilizando de forma racional os recursos que temos a nossa disposição.

Voltando ao tema proposto neste texto, as dicas que podemos dar as pessoas que desejam organizar a sua vida financeira, são simples e consistem em ensinar a gerir de forma eficiente os seus gastos, para que os mesmos não ultrapassem as suas receitas, ou os seus ganhos. Tentamos ensinar que mesmo ganhando pouco, é preciso poupar, e que poupança significa sacrifício. É preciso adiar o consumo, ou seja, deixo de comprar hoje para ter recursos suficientes para comprar algo no futuro. Para ter as suas finanças equilibradas, basta seguir algumas dicas:

• Planeje sempre o que você vai comprar, nunca compre por impulso.

• Tenha sempre anotado o quanto você realmente ganha mensalmente.

• Tenha sempre anotado as suas despesas essenciais, aquilo que todos os meses você precisa gastar, exemplo: Aluguel, alimentação, educação, etc.

• Tenha uma lista de desejos/sonhos, organizados por prioridade. Talvez você não conseguirá realizar todos ao mesmo tempo.

• Compre a vista, sempre pedindo desconto. Fuja dos carnês, mesmo que o vendedor diga que não tem juros.

• Tome muito cuidado com o cartão de crédito. Os juros cobrados pelas administradoras são altíssimos.

Ah! Mas estas dicas são muito lógicas, eu sei disto, mas não consigo parar de gastar (pode responder algum leitor). Eu não consigo controlar o meu desejo de comprar, mesmo sabendo que o meu cartão de crédito já “estourou”. Neste caso talvez o que você precise não seja de um economista, e sim um Psicanalista.

O Dr. Ailton Bastos psicanalista e palestrante; trata dos distúrbios relacionados à vida financeira; Para ele, o fato de a pessoa gastar mais do que ganha pode ser considerado como um distúrbio mental “... Se a pessoa tem historicamente comportamentos disfuncionais na área financeira, ou se sempre gasta mais do que ganha, essa pessoa precisa fazer uma reprogramação mental...” ele ainda acrescenta “Algumas pessoas chegam a serem compradores compulsivos [...] que acreditam que se consumirem mais [...] elas serão mais felizes, e este comportamento está em todos os níveis sociais e em todas as idades.”

Para o Dr. Ailton existem três grupos de pessoas no que se refere às finanças pessoais:

DEVEDOR. Este grupo de pessoas é o daquele sujeito que não importa o quanto ganhe e nem mesmo as circunstancias à sua volta nem no mundo afora ele estará sempre endividado.

EQUILIBRADO (na corda bamba). Este grupo é o daquele sujeito que trabalha para pagar as contas. Ele não se considera um devedor porque compreende que não pode gastar mais do que ganha e se esforça para equilibrar suas contas. A não ser nas emergências ele não entra no vermelho.

INVESTIDOR. O sujeito que pertence a este grupo é aquele que consegue poupar parte de seus ganhos e investir na formação de um patrimônio sólido. Qualquer pessoa, independente de quanto ganhe, ao investir pelo menos 10% de todos os seus ganhos, sistematicamente ao longo de anos, pode alcançar a sua INDEPENDENCIA FINANCEIRA.

O Dr. Ailton Bastos afirma que todos estes comportamentos estão relacionados a fatores psicológicos, e que muitos só conseguem organizarem financeiramente após recorrerem à ajuda de um psicólogo ou psicanalista.

Algumas pessoas compram não por necessidade, mas por ansiedade, para se sentir realizada. Ao economista cabe a tarefa de ensinar a organização financeira, a como organizar e gerir os recursos para que o individuo ou a família, possam ter uma vida mais tranqüila. Cabe ao individuo buscar ajudar psicológica quando não conseguir conter os seus impulsos e comprar sem necessidade, ignorando a importância do controle orçamentário (planejamento).

Gaste conscientemente, evite dividas de longo prazo e tenha uma parte do seu salário disponível para investimento, mesmo que seja pouco. Para os economistas e os psicoterapeutas poupar ainda é a melhor atitude para atingir o sucesso financeiro.

Créditos:
http://ailtonbastos.com.br/





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Inovação e desenvolvimento economico.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O custo das Reservas Externas do Brasil.

O Governo brasileiro comemorou esta semana mais uma boa noticia na área econômica: as Reservas Externas do País chegaram a US$ 350,881 bilhões no conceito de liquidez internacional.

As reservas internacionais brutas compreendem ativos externos prontamente disponíveis, sob controle do Banco Central, cuja principal função é o financiamento de desequilíbrios no balanço de pagamentos ou a regulação da magnitude desses desequilíbrios, pelo ajuste do nível da taxa de câmbio mediante intervenção no mercado de câmbio. As reservas internacionais no Banco Central são constituídas por ouro monetário, DES e ativos em moeda estrangeira, representados por depósitos (overnight, acordo de recompra no FED, prazo fixo), títulos, títulos de exportação (até outubro de 2000), créditos cedidos a outros países (até fevereiro de 2001) e créditos cursados em acordo de convênio. A posição de reserva no FMI também é computada nas reservas no Banco Central.

O Banco Central tem a sua disposição, o montante de mais de US$350 bilhões, para intervenções na economia. A principal utilidade deste dinheiro é manter a economia brasileira sólida mesmo em tempos de crises internacionais. O Banco Central consegue intervir no mercado de financeiro, comprando e vendendo Dólar (de acordo com a necessidade), evitando que o Real se valorize demasiadamente, o que pode prejudicar a indústria nacional, favorecendo as importações e dificultando as exportações.

Poderíamos descrever as reservas internacionais como uma poupança feita pelo Governo em Dólar. O governo brasileiro ainda gasta mais do arrecada, e mesmo assim consegue manter elevada o valor em reservas internacionais graças a atratividade dos títulos públicos brasileiro. Com a taxa SELIC em 12,5%, e com os avanços econômicos do Brasil os títulos brasileiros passaram a ser bem aceitos no mercado financeiro mundial. Os títulos brasileiros têm uma boa reputação e também boa remuneração.

 

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Em Julho de 2011, segundo o Banco Central, o país possuía mais de US$ 336 bilhões em títulos estrangeiros. Grande parte destes títulos foram adquiridos do tesouro Americano, que atualmente remuneram a uma taxa de 0,25%. O Governo capitaliza-se pagando 12,5% ao ano e compra títulos que remuneram 0,25% ao ano. Segundo o economista Fabio Kanczuk que é professor de economia na USP, o Brasil escolheu o mais caro seguro contra crises internacionais que existe. Segundo ele, mantido o montante atual por 12 meses, o custo das reservas se aproximaria de US$ 35 bilhões por ano. "O custo de carregar esse dinheiro é muito alto, mas há uma utilidade de ir contra a apreciação do real", reconhece.

"É muito caro pagar uma conta de pelo menos US$ 35 bilhões. A estratégia é absolutamente questionável porque há um momento em que, apesar de se aumentar o volume das reservas, o benefício de ter esse seguro não cresce", diz o professor da USP. Kanczuk reconhece, porém, que a estratégia tem ao menos um aspecto muito positivo atualmente. "Foi útil para segurar a valorização do real e, de agora em diante, se a crise piorar, o Brasil terá ainda mais caixa para, por exemplo, emprestar dólares as empresas. Para esse objetivo, a estratégia pode fazer sentido", disse(em reportagem publicada no site do Jornal Estadão).

O professor chama as reservas cambiais de o “Seguro contra crises internacionais mais caro que existe”, mas reconhece a sua utilidade.

As reservas internacionais são de extrema importância para a economia nacional, mas o país precisa investir no mercado interno, para que o crescimento econômico não venha acompanhado da tão temida inflação. Reduzir a taxa de juros SELIC, já é um bom começo para o fortalecimento do mercado interno, e investir em infra-estrutura ao invés de apenas formar as reservas internacionais também é de fundamental importância.

Nota: No primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, as reservas internacionais aumentaram 21,6% e subiram o equivalente a US$ 62,3 bilhões. Ontem, o montante atingiu US$ 350,881 bilhões.

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Créditos:

http://www.brasileconomico.com.br/paginas/taxas-de-juros_81.html

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,pela-primeira-vez-reservas-externas-do-pais-ultrapassam-us-350-bi,79823,0.htm

http://www.bcb.gov.br/pec/sdds/port/templ1p.shtm

sábado, 6 de agosto de 2011

Brasil Maior, plano lançado pela presidente Dilma para o fortalecimento industrial brasileiro.


Lançado na terça-feira (02/08) pela presidente Dilma Rousseff, o plano Brasil Maior se apresenta com a “nova política industrial do Brasil”. O plano está voltado para o crescimento das exportações brasileiras, além do fortalecimento do mercado interno e capacitação profissional.

Usando uma política de subsídios o Governo Federal, vai desonerar setores que sofrem forte influencia do câmbio e da concorrência externa. Os setores de Confecções, Calçados, Móveis e Software deixarão de pagar 20% de contribuição ao INSS, e em contrapartida será cobrado um percentual do faturamento da empresa, com alíquota a partir de 1,5% variando de acordo com o setor. Muito se fala sobre o déficit na Previdência, e para não agravar ainda mais, o Governo usará recursos do tesouro nacional para arcar com a diferença na arrecadação da Previdência (ou seja, a Previdência manterá a sua arrecadação, o Governo pagará a diferença entre a alíquota sobre o faturamento, e o valor que realmente deveria ser pago).
Alguns benefícios do plano Brasil Maior:

Além da isenção do recolhimento ao INSS, o plano apresenta:

·         Devolução em dinheiro. O Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), devolverá as empresas exportadoras de bens industrializados 0,5% da receita de exportações. Este reembolso funcionará no mesmo molde do Imposto de Renda, e será depositado na conta da empresa (em dinheiro) ou poderá ser usado para quitação de débitos com a Receita Federal. Com esta medida o Governo visa desonerar as empresas exportadoras fomentando assim o crescimento industrial brasileiro.

·         Compras governamentais. O decreto de regulamentação da Lei 12.349/2010, a Lei de Compras Governamentais, estipula uma margem de preferência de até 25% nos processos de licitação para produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam às normas técnicas brasileiras. Essas margens serão definidas levando em consideração a geração de emprego e renda e o desenvolvimento e a inovação tecnológica realizados no país. O dispositivo será usado também para fortalecer pequenos e médios negócios e será focado nas áreas de Defesa, Saúde e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

·         Defesa comercial. Haverá maior fiscalização na importação de produtos visando à eliminação de concorrência desleal entre os importados e os produtos nacionais.

·         Criação de um novo Regime Automotivo. Incentivo tributário como contrapartida ao investimento, agregação de valor, emprego e inovação.
Basicamente estamos falando de investir em Inovação tecnológica e fortalecimento industrial brasileiro. O plano apresenta uma analise da situação atual e cita como principais desafio para o crescimento econômico do país a falta de infra estrutura física, a guerra cambial, a falta de qualificação profissional, concorrência externa muito forte, e a necessidade de investir em Inovação, P&D e tecnologia na industria nacional.  Estes desafios serão enfrentados com as medidas apresentadas pela presidente Dilma Russeff, através do plano Brasil Maior.

Mais um Plano

É bom lembrar que estamos falando do Brasil, um país com muitos planos e projetos, mas infelizmente com pouca ação. Nos últimos anos pudemos acompanhar a criação de dois planos com objetivos nobres (em tese), o PAC I e o PAC II. O Plano para Aceleração do Crescimento PAC foi lançado no governo Lula, e antes mesmo de ver os seus resultados, um segundo plano foi lançado para “complementar” o primeiro, coincidência ou não foram lançados próximo as eleições. O Plano Brasil Maior foi lançado um pouco distante das próximas eleições presidenciais, e vem com a promessa de contribuir para que a nossa indústria cresça gerando emprego e renda.

Em um país aonde o medo da inflação domina  a política econômica, e que para conter a inflação o consumo sempre paga o pato, é possível acreditarmos que os planos do governo promoverão o tão almejado crescimento econômico?  O Brasil precisa de muito mais do que subsídios em alguns setores, é preciso repensar a política fiscal, afinal a nossa tributação é bastante elevada o que desfavorece os nossos produtos no competitivo mercado internacional. É preciso reduzir os custos com frete, e as ferrovias, e hidrovias são as melhores opções. É preciso fortalecer o mercado interno, mas com a imensa disparidade existente entre as regiões brasileiras é pouco provável que o mercado interno se expanda. É hora de o governo deixar de planejar pensando em marketing e eleições e realmente fazer algo para que seja possível crescer, sem gerar inflação.

      “... o altíssimo custo Brasil, formado por uma pilha de itens adversos. É a insuportável carga tributária – não só nos impostos altos, mas, também, na sua complexidade, que exige a manutenção de custosos departamentos jurídicos. São os juros escorchantes; os enormes custos da infraestrutura (portos, estradas, armazenagem…); os altos preços da energia elétrica – embora na matriz energética do País prepondere a energia hidrelétrica, a mais barata. É o custo da burocracia, das telecomunicações… e por aí vão.” Celso Ming.
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