No dia 17 de agosto, a revista Carta Capital, promoveu um encontro entre os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, que debateram sobre a crise mundial, a zona do Euro, o Cambio, e outros assuntos econômicos. Os textos estão disponíveis para leitura no site da revista.
Quando o assunto é a economia brasileira, muitos economistas concordam que é preciso reduzir a taxa de juros para impulsionar o crescimento do mercado interno. É possível notar no discurso dos economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, que há uma influencia negativa do mercado financeiro sobre a economia mundial, já que as decisões do Banco Central é influenciada pelo mercado financeiro. Para o Brasil se fortalecer ainda mais, a política monetária do governo deve beneficiar o setor produtivo, e não beneficiar apenas os especuladores do mercado financeiro.
A economia brasileira vai muito bem apesar das turbulências, o mundo todo percebe o amadurecimento de nossa política econômica, principalmente após a implantação do plano Real. O nosso sistema financeiro demonstra segurança, atraindo investidores de todas as partes do mundo. Mas já está na hora de deixarmos de lado a nossa dependência externa, temos potencial para cresceremos, reduzindo a dependência das exportações agrícolas.
Através do crescimento do mercado interno, é possível reduzir a dependência externa. A indústria nacional precisa ser incentivada, e protegida pelo governo, o país precisa produzir mais, e não apenas exportar produtos agrários com pouco valor agregado. A indústria brasileira tem sofrido muito com a falta de investimento, e o cambio também é um grande problema enfrentado pela indústria nacional, uma vez que, com a valorização do Real frente ao Dólar, os produtos importados se tornam mais atrativos e competitivos em nosso mercado, desfavorecendo a nossa indústria. É bom lembrarmos que a indústria é uma importante geradora de empregos e conseqüentemente geradora de renda.
A economia mundial está à beira da estagnação, e até mesmo a china já dá sinais de um crescimento econômico mais moderado, se não investirmos no fortalecimento do mercado interno, teremos sérios problemas em nossa economia, uma vez que a demanda mundial tende a cair, ou se estagnar, impedindo que haja crescimento em nossas exportações.
Confira trechos do encontro realizado pela revista Carta Capital.
Carta Capital: E o Brasil no meio de tudo isso?
Delfim Netto: Temos uma política bastante razoável. Acho que o governo tem a clara noção de que estamos em um ambiente hostil e que precisamos providenciar um crescimento nosso. Existe recurso, tecnologia e imaginação. Parece existir a compreensão clara de que não podemos continuar com um modelo agro mineral exportador. Vamos continuar a aproveitar nossas vantagens, mas elas precisam ser revertidas para a construção de um desenvolvimento apoiado no mercado interno.
Luiz Gonzaga Belluzzo: Temos de seguir o exemplo dos Estados Unidos do fim do século XIX, início do XX, que era exportador de alimentos e matéria-prima e construiu sua industrialização.
DN: Aliás, o Brasil de hoje tem a população dos Estados Unidos dos anos 1970 e a renda dos anos 1930. Possui, portanto, um mercado interno com condições de se autoalimentar e continuar a funcionar, obviamente usando o setor externo como complemento.
DN: É que, antes de ser liberal, o Roberto Campos era inteligente (risos). É muito simples. Quando crescíamos a 7,5% durante 30 anos, a carga tributária estava em torno de 24% e o Estado investia 5% do PIB. Hoje temos uma carga tributária de 36% e a União investe 1,5%. O sistema está sendo reconstruído e muito mais eficiente, porque as privatizações trouxeram eficiência para várias empresas, que hoje são muito mais competitivas do que eram. O problema todo é que a coordenação do Estado é fundamental.
DN: Algumas empresas eram altamente eficientes, como a Telebrás, que ganhou vários prêmios internacionais, inclusive. A privatização do setor siderúrgico foi benéfica, porque havia muita interferência e um modelo como havia não poderia sobreviver em uma democracia. E hoje é um setor ágil, competitivo. Mas não adianta ter ilusão, o Estado tem um papel indutor. O mercado é um instrumento eficientíssimo para fazer o desenvolvimento, só que ele não pensa o desenvolvimento.
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