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| FOTO: ANDRE DUSEK/AE |
Surpreendendo
a grande maioria dos economistas e analistas financeiros, o Banco Central
decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,5% ,para 12% ao ano. É bom
lembrarmos que mesmo com a redução a taxa básica de juros brasileira é a maior
do mundo.
Utilizada como
uma das mais importantes ferramentas do controle inflacionário, a SELIC tem a
função de enxugar a economia, reduzindo o montante de dinheiro em circulação, e
conseqüentemente reduzindo o consumo. A presidente Dilma, durante a sua
campanha eleitoral e no inicio de seu governo, deixou claro que trabalharia
para que a economia brasileira pudesse crescer de forma consistente, e não
apenas como “o vôo de uma galinha”. A expressão refere-se à dificuldade
encontrada pelo país de crescer sem gerar inflação, pois sempre que o país começa
a mostrar sinais de crescimento, esbarra no medo inflacionário, que é combatido
com alta nas taxas de juros, freando bruscamente o consumo e o crescimento econômico.
A redução da
taxa de juros pode ter efeitos negativos na economia, caso o país não invista
na produção. A Política Fiscal brasileira terá de ser reorganizada de forma a
gerar mais investimentos no setor produtivo, para que haja uma expansão da
demanda, evitando inflação através do equilíbrio. A arrecadação brasileira se
expande e bate recorde, o problema é que os gastos do governo seguem esta mesma
lógica.
O cidadão
brasileiro sentirá de fato os efeitos desta redução, num prazo de
aproximadamente seis meses. Os efeitos serão:
- Aumento de crédito,
- Taxas de juros mais baixas,
- E possível incentivo ao consumo.
Se o cidadão optar
pelo consumo, e a nossa economia não conseguir suprir esta demanda, ocorrerá
novamente o processo inflacionário, e as taxas de juros terão que ser alteradas.
Opiniões
Para o Blogueiro Adriano Dutra Teixeira, é
preocupante a forma como a política fiscal
está sendo conduzida.
“Não se vê mudança contundente no regime
fiscal, a própria ministra do Planejamento já disse dias atrás que não há
espaço para aperto fiscal, ao contrário disso, o governo mantém um enorme
orçamento fiscal paralelo junto ao BNDES; a arrecadação federal continua
quebrando recordes, cresceu no primeiro semestre o triplo do PIB e os gastos públicos, como têm sido visto,
acompanham a arrecadação.”
O ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni
classificou de "ousada" decisão do Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central. Para ele, o que está em jogo agora é a credibilidade
do BC.
Veja na integra o comunicado do Banco Central
“O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para
12,00% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela manutenção da
taxa Selic em 12,50% a.a. Reavaliando o cenário internacional, o Copom
considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em
reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para
os principais blocos econômicos. O Comitê entende que aumentaram as chances de
que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se
prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que,
nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política
monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Dessa forma, o Comitê
avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte
relevante.
Para o Copom, a transmissão dos
desenvolvimentos externos para a economia brasileira pode se materializar por
intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio,
moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e
piora no sentimento de consumidores e empresários. O Comitê entende que a
complexidade que cerca o ambiente internacional contribuirá para intensificar e
acelerar o processo em curso de moderação da atividade doméstica, que já se
manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia
brasileira. Dessa forma, no horizonte relevante, o balanço de riscos para a
inflação se torna mais favorável. A propósito, também aponta nessa direção a
revisão do cenário para a política fiscal.
Nesse contexto, o Copom entende que, ao
tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais
restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o
cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.
O Comitê irá monitorar atentamente a evolução
do ambiente macroeconômico e os desdobramentos do cenário internacional para
então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.
Brasília, 31 de agosto de 2011”
| Fonte: BACEN |
créditos:

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