quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Banco Central reduz em 0,5% a taxa básica de juros (SELIC).



FOTO: ANDRE DUSEK/AE
Surpreendendo a grande maioria dos economistas e analistas financeiros, o Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,5% ,para 12% ao ano. É bom lembrarmos que mesmo com a redução a taxa básica de juros brasileira é a maior do mundo.

Utilizada como uma das mais importantes ferramentas do controle inflacionário, a SELIC tem a função de enxugar a economia, reduzindo o montante de dinheiro em circulação, e conseqüentemente reduzindo o consumo. A presidente Dilma, durante a sua campanha eleitoral e no inicio de seu governo, deixou claro que trabalharia para que a economia brasileira pudesse crescer de forma consistente, e não apenas como “o vôo de uma galinha”. A expressão refere-se à dificuldade encontrada pelo país de crescer sem gerar inflação, pois sempre que o país começa a mostrar sinais de crescimento, esbarra no medo inflacionário, que é combatido com alta nas taxas de juros, freando bruscamente o consumo e o crescimento econômico.

A redução da taxa de juros pode ter efeitos negativos na economia, caso o país não invista na produção. A Política Fiscal brasileira terá de ser reorganizada de forma a gerar mais investimentos no setor produtivo, para que haja uma expansão da demanda, evitando inflação através do equilíbrio. A arrecadação brasileira se expande e bate recorde, o problema é que os gastos do governo seguem esta mesma lógica.

O cidadão brasileiro sentirá de fato os efeitos desta redução, num prazo de aproximadamente seis meses. Os efeitos serão:
  • Aumento de crédito,
  • Taxas de juros mais baixas,
  • E possível incentivo ao consumo.

Se o cidadão optar pelo consumo, e a nossa economia não conseguir suprir esta demanda, ocorrerá novamente o processo inflacionário, e as taxas de juros terão que ser alteradas.

Opiniões

Para o Blogueiro Adriano Dutra Teixeira, é preocupante  a forma como a política fiscal está sendo conduzida.

“Não se vê mudança contundente no regime fiscal, a própria ministra do Planejamento já disse dias atrás que não há espaço para aperto fiscal, ao contrário disso, o governo mantém um enorme orçamento fiscal paralelo junto ao BNDES; a arrecadação federal continua quebrando recordes, cresceu no primeiro semestre o triplo do PIB e os gastos públicos, como têm sido visto, acompanham a arrecadação.

O ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni classificou de "ousada" decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Para ele, o que está em jogo agora é a credibilidade do BC.

Veja na integra o comunicado do Banco Central

“O Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 12,00% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 12,50% a.a. Reavaliando o cenário internacional, o Copom considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que aumentaram as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.

Para o Copom, a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira pode se materializar por intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e piora no sentimento de consumidores e empresários. O Comitê entende que a complexidade que cerca o ambiente internacional contribuirá para intensificar e acelerar o processo em curso de moderação da atividade doméstica, que já se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira. Dessa forma, no horizonte relevante, o balanço de riscos para a inflação se torna mais favorável. A propósito, também aponta nessa direção a revisão do cenário para a política fiscal.

Nesse contexto, o Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.

O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do ambiente macroeconômico e os desdobramentos do cenário internacional para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.

Brasília, 31 de agosto de 2011”
Fonte: BACEN


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