terça-feira, 16 de agosto de 2011

O custo das Reservas Externas do Brasil.

O Governo brasileiro comemorou esta semana mais uma boa noticia na área econômica: as Reservas Externas do País chegaram a US$ 350,881 bilhões no conceito de liquidez internacional.

As reservas internacionais brutas compreendem ativos externos prontamente disponíveis, sob controle do Banco Central, cuja principal função é o financiamento de desequilíbrios no balanço de pagamentos ou a regulação da magnitude desses desequilíbrios, pelo ajuste do nível da taxa de câmbio mediante intervenção no mercado de câmbio. As reservas internacionais no Banco Central são constituídas por ouro monetário, DES e ativos em moeda estrangeira, representados por depósitos (overnight, acordo de recompra no FED, prazo fixo), títulos, títulos de exportação (até outubro de 2000), créditos cedidos a outros países (até fevereiro de 2001) e créditos cursados em acordo de convênio. A posição de reserva no FMI também é computada nas reservas no Banco Central.

O Banco Central tem a sua disposição, o montante de mais de US$350 bilhões, para intervenções na economia. A principal utilidade deste dinheiro é manter a economia brasileira sólida mesmo em tempos de crises internacionais. O Banco Central consegue intervir no mercado de financeiro, comprando e vendendo Dólar (de acordo com a necessidade), evitando que o Real se valorize demasiadamente, o que pode prejudicar a indústria nacional, favorecendo as importações e dificultando as exportações.

Poderíamos descrever as reservas internacionais como uma poupança feita pelo Governo em Dólar. O governo brasileiro ainda gasta mais do arrecada, e mesmo assim consegue manter elevada o valor em reservas internacionais graças a atratividade dos títulos públicos brasileiro. Com a taxa SELIC em 12,5%, e com os avanços econômicos do Brasil os títulos brasileiros passaram a ser bem aceitos no mercado financeiro mundial. Os títulos brasileiros têm uma boa reputação e também boa remuneração.

 

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Em Julho de 2011, segundo o Banco Central, o país possuía mais de US$ 336 bilhões em títulos estrangeiros. Grande parte destes títulos foram adquiridos do tesouro Americano, que atualmente remuneram a uma taxa de 0,25%. O Governo capitaliza-se pagando 12,5% ao ano e compra títulos que remuneram 0,25% ao ano. Segundo o economista Fabio Kanczuk que é professor de economia na USP, o Brasil escolheu o mais caro seguro contra crises internacionais que existe. Segundo ele, mantido o montante atual por 12 meses, o custo das reservas se aproximaria de US$ 35 bilhões por ano. "O custo de carregar esse dinheiro é muito alto, mas há uma utilidade de ir contra a apreciação do real", reconhece.

"É muito caro pagar uma conta de pelo menos US$ 35 bilhões. A estratégia é absolutamente questionável porque há um momento em que, apesar de se aumentar o volume das reservas, o benefício de ter esse seguro não cresce", diz o professor da USP. Kanczuk reconhece, porém, que a estratégia tem ao menos um aspecto muito positivo atualmente. "Foi útil para segurar a valorização do real e, de agora em diante, se a crise piorar, o Brasil terá ainda mais caixa para, por exemplo, emprestar dólares as empresas. Para esse objetivo, a estratégia pode fazer sentido", disse(em reportagem publicada no site do Jornal Estadão).

O professor chama as reservas cambiais de o “Seguro contra crises internacionais mais caro que existe”, mas reconhece a sua utilidade.

As reservas internacionais são de extrema importância para a economia nacional, mas o país precisa investir no mercado interno, para que o crescimento econômico não venha acompanhado da tão temida inflação. Reduzir a taxa de juros SELIC, já é um bom começo para o fortalecimento do mercado interno, e investir em infra-estrutura ao invés de apenas formar as reservas internacionais também é de fundamental importância.

Nota: No primeiro ano do governo de Dilma Rousseff, as reservas internacionais aumentaram 21,6% e subiram o equivalente a US$ 62,3 bilhões. Ontem, o montante atingiu US$ 350,881 bilhões.

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Créditos:

http://www.brasileconomico.com.br/paginas/taxas-de-juros_81.html

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,pela-primeira-vez-reservas-externas-do-pais-ultrapassam-us-350-bi,79823,0.htm

http://www.bcb.gov.br/pec/sdds/port/templ1p.shtm

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